Acho
que quando nós esperamos demais por alguma coisa, quebramos uma expectativa tão
grande que perdemos o resto da esperança que teríamos no futuro. E sem
esperanças, não há probabilidades, e então, não há tentativas.
Outro dia, estava vendo um seriado que tinha feito sucesso
há um tempão atrás, e concordei com o que uma garota branquinha, loira e
anoréxica disse enquanto fumava um baseado: “Sabe o que é pior de ter o coração
partido? Não se lembrar como você se sentia antes... Tentar manter este sentimento...
Porque se ele for embora, ele nunca volta. Então, você vira um peso morto para
o mundo, e para tudo que existe nele.”
Há tantas pequenas coisas que fazemos para nos tornar nada
mais que um peso para o mundo, que se pensarmos ao contrário, colher um papel
do chão também pode ser um serviço muito especial para o mundo. Só que nós não
queremos ser especiais para o resto, e sim para alguém. Ou para si mesmo.
Quando esperamos demais por um sentimento bom – ou uma ação
boa- recebemos um peso como resposta. Sabe aquele papo que “tudo que vai volta
na mesma intensidade”? É verdade sim, mas nem sempre que darmos amor e carinho
ao mundo – e muito menos expectativas – iremos receber o que queremos de volta.
O mundo não é um lugar bom. O mundo não é uma casa.
Ás vezes , quando chego à minha casa e deito em minha cama,
e quando fecho os olhos, não penso em mais nada. É um sentimento muito bom,
saber que tem um lugarzinho neste espaço tão grande que me pertence.
É um lugar
que normalmente, não nos traz problemas.
Porquê a nossa casa não nos traz problemas, mas sim, o mundo
lá fora. Por que uma pessoa não assalta sua casa porque ela esta feliz, e muito
menos você pega uma recuperação na escola por que você não dormiu bem. As
conseqüências, habitualmente, não vêm de nossa casa.
E quando você senta no banco de ônibus lá fora, você se
fode. E isso só acontece porque tem um idiota que vai roubar seu dois reais e
poucos centavos porque ficou devendo dinheiro para um traficante. Isso
acontece, por que lá fora, você tem medo de perder.
Por causa deste medo, e desta satisfação que nós agarramos,
levamos estes problemas em nossas costas e os descarregamos em nossas camas,
então nossa casa vira o mundo lá fora. E a culpa é toda nossa, porque perdemos
todas nossas esperanças.
Eu não vou fazer minha parte. Eu prefiro ficar sentada...
Esperando os problemas me comerem viva enquanto observo a destruição dos seres
humanos por causa de seu próprio consciente inadequado, que só pensa em deixar
um gosto amargo na boca dos outros, e principalmente, de transformar nossa casa
em um inferno.
Por que se o céu existe, ele será aquele que eu chamarei de
lar. Afinal, aqui é o lugar tão famoso por qual pagamos nossos pecados, e por
causa disso, gosto de chamá-lo de abismo, e não de vida.
Isto é só uma mensagem, uma crônica que veio em minha cabeça
enquanto via o seriado. Fazendo-me pensar que se a vida fosse maconha e
oxigênio, eu estaria deitando e dormindo, sem precisar lembrar que
amanhã tenho
que fazer uma prova.
Fim.