segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

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O mundo e a nossa casa...

Acho que quando nós esperamos demais por alguma coisa, quebramos uma expectativa tão grande que perdemos o resto da esperança que teríamos no futuro. E sem esperanças, não há probabilidades, e então, não há tentativas.

Outro dia, estava vendo um seriado que tinha feito sucesso há um tempão atrás, e concordei com o que uma garota branquinha, loira e anoréxica disse enquanto fumava um baseado: “Sabe o que é pior de ter o coração partido? Não se lembrar como você se sentia antes... Tentar manter este sentimento... Porque se ele for embora, ele nunca volta. Então, você vira um peso morto para o mundo, e para tudo que existe nele.”

Há tantas pequenas coisas que fazemos para nos tornar nada mais que um peso para o mundo, que se pensarmos ao contrário, colher um papel do chão também pode ser um serviço muito especial para o mundo. Só que nós não queremos ser especiais para o resto, e sim para alguém. Ou para si mesmo.

Quando esperamos demais por um sentimento bom – ou uma ação boa- recebemos um peso como resposta. Sabe aquele papo que “tudo que vai volta na mesma intensidade”? É verdade sim, mas nem sempre que darmos amor e carinho ao mundo – e muito menos expectativas – iremos receber o que queremos de volta.

O mundo não é um lugar bom. O mundo não é uma casa.

Ás vezes , quando chego à minha casa e deito em minha cama, e quando fecho os olhos, não penso em mais nada. É um sentimento muito bom, saber que tem um lugarzinho neste espaço tão grande que me pertence. 
É um lugar que normalmente, não nos traz problemas.

Porquê a nossa casa não nos traz problemas, mas sim, o mundo lá fora. Por que uma pessoa não assalta sua casa porque ela esta feliz, e muito menos você pega uma recuperação na escola por que você não dormiu bem. As conseqüências, habitualmente, não vêm de nossa casa.

E quando você senta no banco de ônibus lá fora, você se fode. E isso só acontece porque tem um idiota que vai roubar seu dois reais e poucos centavos porque ficou devendo dinheiro para um traficante. Isso acontece, por que lá fora, você tem medo de perder.

Por causa deste medo, e desta satisfação que nós agarramos, levamos estes problemas em nossas costas e os descarregamos em nossas camas, então nossa casa vira o mundo lá fora. E a culpa é toda nossa, porque perdemos todas nossas esperanças.

Eu não vou fazer minha parte. Eu prefiro ficar sentada... Esperando os problemas me comerem viva enquanto observo a destruição dos seres humanos por causa de seu próprio consciente inadequado, que só pensa em deixar um gosto amargo na boca dos outros, e principalmente, de transformar nossa casa em um inferno.

Por que se o céu existe, ele será aquele que eu chamarei de lar. Afinal, aqui é o lugar tão famoso por qual pagamos nossos pecados, e por causa disso, gosto de chamá-lo de abismo, e não de vida.

Isto é só uma mensagem, uma crônica que veio em minha cabeça enquanto via o seriado. Fazendo-me pensar que se a vida fosse maconha e oxigênio, eu estaria deitando e dormindo, sem precisar lembrar que 
amanhã tenho que fazer uma prova.

Fim.

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